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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Blusa florida


Ah! quem nos dera que isto, como outrora, 
Inda nos comovesse! Ah! quem nos dera 
Que inda juntos pudéssemos agora 
Ver o desabrochar da primavera! 

Saíamos com os pássaros e a aurora. 
E, no chão, sobre os troncos cheios de hera, 
Sentavas-te sorrindo, de hora em hora: 
"Beijemo-nos! amemo-nos! espera!" 

E esse corpo de rosa recendia, 
E aos meus beijos de fogo palpitava, 
Alquebrado de amor e de cansaço. 

A alma da terra gorjeava e ria... 
Nascia a primavera... E eu te levava, 
Primavera de carne, pelo braço! 


Olavo Bilac, in "Poesias"





sábado, 22 de dezembro de 2012

Arabescos


 
Bordado a Ponto de Grilhão
 
Desenho retirado de uma revista de 1950



À bem-amada
 

Minha alma quer-te



Ainda que haja nisso tortura

E sigo-te na ânsia da procura.

Que estranho ser difícil nossa ligação

Se os desejos ambos concordam!

Que quereria mais meu coração

Quando amargurado te buscou em vão

E meus olhos te viram e amaram?

Allah bem sabe que não há razão

De vir aqui senão para te encontrar

Como desejo que o vigia não esteja

Em nosso encontro

Para os teus lábios doces eu provar

Para folgar no jardim da tua face

Para beber do copo de langor

Que teus olhos oferece.



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Poema de Amor - Árabe

Poeta - Ibn`Ammâr
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poema retirados do livro Itinerários da poesia - poetas árabes no Gharb al-Ândalus, de Mostafa Zekri)

Ibn`Ammâr nasceu em Silves e foi um ilustre poeta e governador dessa cidade. Morreu em 1084.

 
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terça-feira, 27 de novembro de 2012

Blusa Branca ... Poesia Branca

Blusa branca bordada com os seguintes pontos:

a) Ponto Pé de Flor

b) Ponto Cheio

c) Ponto de Recorte

d) Ponto de Grilhão

e) Ponto de Cadeia


 
Poesia Branca
 
Poesia é uma composição poética feita em versos e pode ser dividida em Poema, Poesia Branca e Poesia Livre.
 
Poema é uma poesia com rima nos versos.
 
Poesia Branca é um poema sem rima, mas com métrica silábica (o número de sílabas do primeiro verso deve, obrigatoriamente, ser repetido nos demais versos do poema).
 
Há, ainda, a Poesia Livre que não chega a ser uma prosa poética por ter versos mais curtos. E não chega a ser um poema ou uma poesia branca por não prender-se à rima ou métrica silábica.
 
 
 

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Vestido Negro - negro negro









Destino - Almeida Garrett - Folhas caídas


Quem disse à estrela o caminho
Que ela há-de seguir no céu?
A fabricar o seu ninho
Como é que a ave aprender?
Quem diz à planta - "Floresce!"
E ao mundo verme que tece
Sua mortalha de seda
Os fios quem lhos enreda?
:
Ensinou alguém à abelha
Que no prado anda a zumbir
Se à flor branca ou vermelha
O seu mel há-de pedir?
Que eras tu meu ser, querida,
Teus olhos a minha vida,
Teu amor todo o meu bem...
Ai! Não m'o disse ninguém.
:
Como a abelha corre ao prado
Como no céu gira a estrela
Como a todo o ente em seu fado
Por instinto se revela
Eu no teu seio divino
Vim cumprir o meu destino...
Vim, que em ti só sei viver,
Só por ti posso morrer