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terça-feira, 19 de janeiro de 2016

quinta-feira, 15 de março de 2012

Menina






Menina

Menina de olhar sereno

Raiando pela manhã

de seio duro e pequeno

num coletinho de lã

Menina cheirando a feno

casado com hortelã

Menina que no caminho

vais pisando formusura

levas nos olhos um ninho

todo em penas de ternura

Menina de andar de linho

com um ribeiro à cintura




Menina de saia aos folhos

quem te vê fica lavado

água da sede dos olhos

pão que não foi amassado

Menina do riso aos molhos

minha seiva de pinheiro

menina de saia aos folhos

alfazema sem canteiro

Menina de corpo inteiro

com tranças de madrugada

que se levanta primeiro

do que a terra alvoraçada

Menina de fato novo

Avé-Maria da terra

rosa brava rosa povo

brisa do alto da serra

José Carlos Ary dos Santos

As palavras das cantigas

cantada pela Tonicha

segunda-feira, 5 de março de 2012

Tuuu tuuuu....pouca terra....pouca terra...tuuuu tuuuu


Lá vai o comboio, lá vai,
lá vai ele a assobiar,
lá vai o meu lindo amor,
para a vida militar.

Para a vida militar,
para aquela triste vida,
lá vai o comboio, lá vai,
leva pressa na partida.

http:alfarrabio.di.uminho.pt/cancioneiro/html/219.html

sexta-feira, 2 de março de 2012

Fralda para a Nisa - II

Fralda bordada com mãmã passarinho e filhotinho


Os passarinhos
Tão engraçados
Fazem os ninhos
Com mil cuidados


São p'ra os filhinhos
Que estão p'ra ter
Que os passarinhos
Os vão fazer


Nos bicos trazem
Coisas pequenas
E os ninhos fazem
De musgo e penas


Depois, lá têm
Os seus meninos
Tão pequeninos
Ao pé da mãe


Nunca se faça
Mal a um ninho
À linda graça
De um passarinho


Que nos lembremos
Sempre também
Do PAI que temos
Da nossa MÃE


António Lopes Vieira

Fralda para a Nisa - I

Fralda bordada com cogumelo para a Nisa



COGUMELOS


encontramo-los num clarão do bosque,
duas expedições atravessando o crepúsculo
e olhando-se em silêncio. entre nós, inquieto,
o zumbido telegráfico do enxame de mosquitos.


a nossa avó era famosa por sua receita
de cogumelos recheados. levou-a inclusive
à tumba. ao rechear o que não é bom, dizia,
há que pôr muito pouco de outras coisas.


mais tarde, na cozinha, levávamos
os fungos ao ouvido e misturávamos o molho,
esperando o suave estalido no seu interior,
tentando encontrar a combinação.


Jan Wagner